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Livio Oricchio

Que fique claro: Entre Ases e Reis é um documento histórico. Mas não imagine, por favor, que Bird Clemente narra sua rica experiência no automobilismo conforme compêndios de ciência. Pelo contrário, o texto envolve o leitor do começo ao fim. É denso, tem graça, leveza. Bird Clemente ordena suas idéias como controlava com extrema habilidade seu DKW e a Berlineta Willys e, invariavelmente, vencia.

É como voltar no tempo e dispor da rara oportunidade de viver uma época que se mostrou decisiva para o que o Brasil viria a conquistar nas pistas do mundo todo. E esse sucesso está entre os maiores de uma nação no universo fascinante da velocidade. Emergiu dali, do asfalto esburacado do seletivo templo de Interlagos e das provas de rua, onde o piso podia ser de paralelepípedo “enriquecido” com trilhos de bonde.

Quem não viveu esse florescer do automobilismo profissional no país tem a oportunidade de, com a minuciosa e atenta descrição de Bird Clemente, compreender como tudo começou. Conhecer as imensas dificuldades, os desafios, assustar-se com os riscos e, claro, ter contato com o idealismo de personagens extraordinários, determinantes para a significativa evolução das corridas de automóvel no Brasil, a exemplo dos chefes de equipe Jorge Lettry, da DKW, e Luiz Antônio Greco, da Willys, dentre outros.

O caráter inédito da obra lhe confere o imenso valor histórico citado no início. Sem querer, o leitor se forma na “matéria”. A coletânea de situações experimentadas, dentro e fora dos circuitos, nas complexas relações humanas e durante convalescença de acidente flui com naturalidade impressionante. Tem-se sempre o desejo de saber, com certa ansiedade, o desfecho de cada uma dessas passagens marcantes. O leitor pode até nem se interessar por automobilismo.

Depois de terem de superar tantas provações, fica fácil entender as razões de pilotos contemporâneos de Bird Clemente, como José Carlos Pace, Emerson e Wilson Fittipaldi aventurarem-se na Europa e fazer sucesso de cara. A escola que Bird Clemente freqüentava com sua turma representava, em muitos aspectos, um curso avançado. Tinham de se virar, em tudo. Essa era a lei. De lá, só poderiam sair mesmo ases das pistas. Coordenados por reis. Tem razão, mestre Bird Clemente, faz todo sentido: entre ases e reis.

 

Depoimentos do livro “Entre ases e reis de Interlagos”, por quem vive ou
viveu intensamente o mundo do automobilismo brasileiro:

Totó Porto
Claus Hoppen
Reginaldo Leme
Livio Oricchio
Bob Sharp