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Reginaldo Leme

Falar de Bird Clemente, para mim e meus amigos de juventude dos anos 1960, era como falar de Emerson, Piquet e Senna numa época em que a Fórmula 1 era algo muito distante do Brasil. Tema de conversa em nossas rodadas de chope, essa geração de pilotos que tinha nos garotos Bird, Luizinho Pereira Bueno, Marinho César de Camargo Filho, Marivaldo Fernandes, Wilsinho Fittipaldi e José Carlos Pace, mais Ciro Cayres e Camillo Christófaro os ídolos de maior brilho, nos levava a Interlagos parar tentar ficar o mais próximo possível dos boxes e poder vê-los em seus macacões de tecido comum, capacetes que nem cobriam a nuca, sentados em carros sem cinto de segurança, mas donos de um talento que os transformava em deuses.

Para nós, eram deuses. Nada menos do que isso.

Agora, vocês imaginam o que significa para mim, passados 40 anos, Bird Clemente escolher-me para escrever o prefácio do livro que conta toda a história daqueles tempos gloriosos. Com o passar do tempo eu me tornei jornalista e fui trabalhar exatamente no meio que tanto admirei desde criança descendo ladeiras em cima de carrinhos de rolimã que traziam as cores e os números dos carros daqueles ídolos. Acabei convivendo com vários deles, ouvi histórias encantadoras, e há algum tempo venho acompanhando essa tentativa do Bird de perpetuar essas histórias em um livro, do qual falamos pela primeira vez em um encontro no Café Journal, na capital paulista.

Ao ler os originais do livro, eu me emocionei várias vezes. Bird, falando ou escrevendo, é um ótimo historiador. Nas vezes em que me visitou no Linha de Chegada da SportTV, já pôde mostrar essa qualidade falando. Agora repete isso escrevendo, sempre com uma “emoção gostosa e profunda” que ele confessa. Bird não apenas viveu uma época que se tornou raiz fundamental para o sucesso internacional que nossos pilotos conquistariam no futuro. Ele também sabe transmitir tudo o que viveu de forma especial e inesquecível.
Bird sempre amou o que fez. Esteve nas melhores equipes e pilotou os melhores carros da época. Criou o profissionalismo quando entrou na sala do diretor da Vemag para pedir que a fábrica cedesse a ele e Marinho, a dupla oficial de pilotos da equipe, um carro emprestado enquanto durasse o contrato. E, mais tarde, quando trocou a Vemag pela Willys, tornou-se o primeiro piloto brasileiro a receber salário para correr. Viu nascer a indústria automobilística no Brasil e foi veículo dela ao participar do primeiro filme publicitário feito para vender automóvel.

Do grupo que fez parte da famosa equipe Willys, que teve os irmãos Fittipaldi, Emerson e Wilsinho, José Calos Pace, Luizinho Pereira Bueno e Chiquinho Lameirão, apenas Bird e Carol Figueiredo não tentaram seguir carreira na Europa. Mas não se sente frustrado por isso. Tem consciência da importância da época que viveu. Agradece a Deus por ter superado os riscos de se correr sem os aparatos de segurança que existem hoje, nem mesmo um algodãozinho no ouvido, o que lhe custou a perda de audição no ouvido esquerdo.

Bird conta segredos jamais revelados, demonstra carinho pelos companheiros e adversários com quem conviveu nas pistas, mostra a admiração que teve pelo pai, Francisco, que já ensinava os filhos a ouvir, através de um potente rádio Zenith, as corridas de Fangio e Froilán Gonzales na Europa. Dá importância especial às vitórias obtidas em dupla com o irmão Nilson, e àqueles de quem recebeu ao menos um empurrãozinho, especialmente Jorge Lettry, Luiz Antônio Greco, Mauro Salles e Wilson Fittipaldi, pai de Wilsinho e Emerson.

Bird Clemente nasceu para pilotar. Mas, graças a Deus, ele sabe contar histórias como poucos. E deixa aqui neste livro a certeza de que as conquistas internacionais de nossos pilotos não vieram por acaso. Foram uma conseqüência do talento que brota dessa paixão que o brasileiro tem pelo esporte a motor.

 

Depoimentos do livro “Entre ases e reis de Interlagos”, por quem vive ou
viveu intensamente o mundo do automobilismo brasileiro:

Totó Porto
Claus Hoppen
Reginaldo Leme
Livio Oricchio
Bob Sharp